terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Carnaval sem delegados: Em greve para serem igualados aos Defensores Públicos, Xerifes comprometem a segurança pública.

As delegacias estão vazias, por que os delegados e delegadas querem ganhar R$ 11 mil reais por mês, além de serem tratados com os mesmos privilégios que recebem dos Defensores Públicos no Estado da Paraíba. Eles que são Bacharéis em Direito, mas não são Advogados, pois deles não se exigiu a aprovação no exame da OAB.
O meio termo, numa proposta de antecipação de reajuste oferecido pelo Governo Cássio, não foi aceito pela categoria, que retomou o movimento paredista após uma parada para negociações.
Eu conversei informalmente com alguns delegados e delegadas e ouví deles que a questão virou ponto de honra, deixando de ser uma apenas técnica. a imperícia como teriam sido tratados esses profissionais pelos secretários de estado, poderia ter levado a um retesamento nas negociações.
Ouví reclamações sobre a postura do secretário Eitel, que teria peitado a categoria, desqualificando "a priori" as reivindicações. Os comentários iniciais dele foram muito mal recebidos entre aqueles delegados e delegadas que estão umbilicalmente ligados às associações da classe, como se eles não tivessem o direito de reivindicar.
Doutro lado, uma suposta "brincadeira" de Gustavo Nogueira, teria melado o acordo que estaria por ser fechado entre a categoria e Cássio, no momento em que se sentaram à mesa para negociar, durante a trégua que o movimento deu ao governo. Gustavo teria dito que faria a negociação nos termos apresentados pela ADEPDEL e na frente de Cássio, ele voltou atrás e "espanou o eixo".
Pessoalmente acredito que são justíssimas as reivindicações dos delegados. Acho que segurança pública de qualidade se faz com delegados, agentes, peritos e escrivães bem pagos e com as devidas condições de trabalho. Não acredito que sensação de segurança, mas sim em crime e castigo. E de fato, só é possível castigar os delinquentes com investigações bem feitas, prisões legais, inquéritos bem redigidos e amparados no código. Isso só se faz com excelentes delegados.
Mas, por outro lado, fica claro que a greve nesse momento fragiliza um governo que atua por liminar. Daí o argumento de que tudo não passa de uma ação política articulada pela oposição peemedebista, que faz questão absoluta de apoiar o movimento, principalmente através dos veículos de mídia que atuam a serviço do partido no estado.
A segurança pública na Paraíba não é nota 10, mas tem tido sucessivos avanços, notadamente sob a tutela tucana. Falta muito para um estado de direito seguro, com a devida prestação do serviço de segurança ao cidadão. Precisamos de uma polícia militar mais próxima da sociedade, menos autoritária e mais comunitária. Precisamos de uma polícia civil mais investigativa, mais bem treinada, com infra-estrutura necessária para perseguir, prender e manter presos, desde os peixes pequenos até os peixes grandes.
Delegado de polícia de pires na mão, não mete medo em ninguém. Muito menos nos grandes criminosos, que ocupam posições de destaque político e econômico no estado.
Delegado bom é delegado na classe média alta, bem pago e qualificado, para ter moral de prender seja lá quem for que transgrida a lei.
O desafio é achar o meio termo. Um pouco de diplomacia de ambas as partes ajudaria e muito.